segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ELIANA LAWIN

"Fecho os olhos e o sono me carrega...Para profundas águas turbulentas de meu passado...Estou mergulhada na ansiedade causada por tua presença...Seleciono palavras enquanto você me lança num penhasco de indiferença...Tornando-se meu amante Carrasco com relação ao meu desejo...Me alimentando com sobras de seu próprio prazer ...Mas tudo isso desaparece com sua ordem e não sei como "ficamos bem"...E, noutro momento já me vejo em repetição de datas e histórias...Estou debaixo de toneladas de rancor e desespero por você ...Andando em círculos, indago respostas...Sem ter força para ouvi-las, ouço...Nem que seja apenas para cumprir com o seu roteiro de rapaz sincero ...Por que ainda respira depois de tantos golpes?, será sua dúvida...Teu presente foi dar-me correntes com elos de incerteza, preso a carne de ilusão ...Você me arrastou por distâncias que nem imagino...E, quando parou esmagou com suas mãos meus planos, bebeu minhas lágrimas...E sorriu ao me ver de joelhos implorando por amor...Neste jogo você deu as cartas o tempo todo, mas se saiu vitorioso?Perdi muitas partidas de auto-estima por ter aceitado tuas regras...E, como numa virada de mesa, te vejo sumir pelo horizonte...À procura de novas peças para o teu tabuleiro de mentiras...Porém, não vai antes de depositar meus restos em alguma esquina...E, você tinha razão de me considerar morta, pois eu estava mesmo...O que veio depois não sei, a indescritível sensação me elevou a um outro nível...Quando parei e vi que estava de pé, cai...E luto padeceu sobre mim, visto estar eu enterrando uma menina...Que não mais existia,e junto com ela sua mágoa, pureza, lágrimas e ódio...Com o tempo presenciei seu renascimento e vi seu brilho se espalhar...Foi então que abri meus olhos e acordei...E, pude ver que certas coisas não mudam, logo as aceitamos como parte de nós...Mas se pudesse mudar não o faria, pois hoje quem escreveria estas palavras?Alguém sem marcas da realidade e com um coração cheio de fantasias?Portanto, deixo as cartas perdidas e pagas com sangue em seu lugar...E o modo como fazer um jogo diferente, este eu aprendo a cada manhã ...A cada ferida indolor; a cada rodada vencida."