terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tempo para Viver

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas.As primeiras, ela chupou displicentemas percebendo que faltam poucas, rói o caroço Já não tenho tempo para lidar com mediocridades Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados Não tolero gabolices.Inquieto-me com invejosos tentando destruir quemeles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.Não quero que me convidem para eventos deum fim de semana com a proposta de abalar o milênio.Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas,procedimentos e regimentos internos.Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,que apesar da idade cronológica, são imaturos Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação",onde "tiramos fatos a limpo".Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargode secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:"as pessoas não debatem conteúdos,apenas os rótulos".Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,quero a essência,minha alma tem pressa...Sem muitas jabuticabas na bacia,quero viver ao lado de gente humana muito humana; que sabe rir de seus tropeços,não se encanta com triunfos,não se considera eleita antes da hora,não foge de sua mortalidade,defende a dignidade dos marginalizados,e deseja tão somente andar ao lado de Deus.Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes,nunca será perda de tempo.